0 com

Diálogando com a consciência

Já era tarde da noite e Lorenzo não conseguia pegar no sono, rolava na cama de um lado pro outro, tentava não pensar nela, naquela garota que tanto ele já havia pensado. Então, ele resolveu pegar seus fones de ouvido e apertar o botão aleatório da sua playlist para ver onde ia dar. E como por coincidência as músicas que estavam tocando faziam com ele pensasse nela.

Ele começou a pensar consigo mesmo:

- Porque estou por ela?

E logo em seguido uma voz disse:

- Ué, porque você gosta dela!

- Quem é?

- Você mesmo.

- Eu?

- Sim, você mesmo ou, se preferir, a sua consciência.

- Ah, é?

- Sim, sim...

- Então, já que você sou eu, você pode me ajudar – disse Lorenzo um pouco animado – Porque eu
tenho pensado tanto naquela garota?

- Eu já te disse, você gosta dela e é por isso que você pensa tanto nela.

­- Eu não estou apaixonado por ninguém, não mesmo – disse bravo a sua consciência.

­- Mas eu não disse que estava apaixonado por ela, disse que estava gostando.

­- É tudo igual.

- Não é não! – disse a consciência brava – Estar apaixonado por alguém é um nível acima de gostar, por isso primeiro você gosta de alguém, depois fica apaixonado por ela e depois a ama.

- , então, mas e agora o que eu faço? Porque eu sempre travo quando estou perto dela e isso não aconteceu comigo, sempre cheguei fácil nas meninas que eu queria ficar. E mais, ela está diferente comigo, quase não fala pessoalmente comigo, apenas por SMS ou mensagens no Facebook.

- Você gosta dela, e ela já deve saber disso, pois meninas não mudam de comportamento do nada, mas até você saber se ela gosta ou não de você isso vai continuar. Você não está deixando de ser autoconfiante ou algo parecido, só está sentindo algo diferente e ainda não sabe como lidar, mas é só isso.

- Bom, pelo jeito, eu vou ter que dar um jeito de conseguir saber isso.

- Aí já não é tanto comigo e sim com você.

- Tudo bem, porque já estou pensando em algo.

Depois dessa conversa o sono acabou pegando o Lorenzo e fazendo com que ele dormisse sem tirar os fones do ouvido e acabasse dormindo ouvindo música.
0 com

Alerta: Amor no ar

Quem pode dizer que os mais novos não querem compromisso? Lorenzo está caído por uma menina que conheceu há alguns meses, mas as coisas não estão saindo como ele planejava! E agora a cabeça dele está uma bagunça por causa disso. É, o amor não é fácil, mas vale a pena, quando é amor.
0 com

Alerta: Alguém está cansado

Mal voltaram as aulas de Renato e ele já está cansado. Mas não para entender o porquê, se ele não está fazendo nada a mais ou, então, diferente do que estava acostumado ano passado, mas é bem o contrário, ele até diminuiu suas atividades. Então, qual será o motivo para tanta falta de ânimo?
0 com

20 é o novo 40

   “Um bom vinho só pode ser realmente bom com anos de envelhecimento e um bom homem também, não é? Bom, uma boa bebida já não é mais apreciada, acho que posso colocar assim” pensava Allison enquanto tentava entender, de novo, porque a sua última namorada tinha largado-o por um pivete. Mas tal esforço não resultou em sucesso, não havia nada que passasse por sua mente que pudesse favorecer o outro rapaz ao invés dele.

Casa, carro, emprego, faculdade, boa aparência, ... E ele mora com os pais, anda de moto, tem um empreguinho e nem sequer faculdade faz ” continuava Allison a enumerar pontos a seu favor e acrescentava “Ele não deve passar dos 20 anos, já eu tenho 28 anos”.

Tempos difíceis pedem medidas desesperadas. Então, Allison resolveu ligar para Lorenzo, que ele era o que mais se aproximava do jeito do outro rapaz.

Assim que Allison chegou à casa de Lorenzo já foi logo falando:

- Garoto, o que você faz para ficar com uma garota?

- Ué, não sabe como pegar uma mulher?

- Claro que eu sei conquistar uma mulher, mas é que aquela... Minha última namorada me largou por um pivete com quase a mesma idade que você.

- Dessa eu não sabia! – Lorenzo falou rindo.

- Engraçadinho você – falou sarcasticamente Allison e continuou – Mas agora me fala uma coisa, você já ficou com uma garota mais velha que você, tipo, uns seis anos a mais?

- Ah, já sim. Mas nem acabei nem fazendo muita coisa, porque nós dois já tínhamos bebido bastante e acabou que papo vai e papo vem e a gente ficou.

- Caral... Será que ela já tinha me traído? – Allison falou nervoso.

- Não sei, cara. Mas o quê eu sei é: você está melhor sem ela; porque se você pensar bem, o que ela tinha que outras não têm?

- Na verdade, nem sentia nada “diferente” por ela, sabe? Mas o que você vai saber, só tem 15 anos...

- 17 anos – corrigiu rapidamente Lorenzo.

- Tudo bem, 17 anos. Mas você tendo 16 ou 17 anos mal sabe o que é gostar de alguém, só quer saber de sair e pegar todas.

- E vai me dizer que quando você tinha a minha idade você não ficava com as meninas.

- Claro que eu ficava, mas não era hoje. Nós ficávamos com algumas meninas, mas vocês hoje ficam com algumas meninas numa noite só, então, não tem como compararmos.

E assim foi por algum tempo a conversa dos dois, até que Allison resolveu ir embora para a casa. E no caminho de volta foi pensando “O prazer de saborear uma boa taça de vinho foi trocado por goladas de cachaça barata e PT (perca total) no final da noite”.
0 com

Férias da vida

São férias! Para alguns do colégio e da faculdade, entretanto, para outros são da vida.

A vida para Cauã, Renato e Lorenzo estava boa, sem aulas, apenas descansando e jogando tempo fora com encontros com os amigos, vídeo-game e coisas de férias. Porém Oliver, Allison e Santiago estão a ponto de dar um “tchau” para a vida.

Vida de estudante é fichinha comparada à vida de adulto. Oliver já não agüentava mais viver a pressão imposta por sua namorada e seu patrão; ela o achava um “doce”, mas já tinha se enjoado de tanto “doce” e o seu chefe achava que os seus trabalhos não estavam correspondendo às expectativas; que ser sensível não estava sendo o suficiente, nem ao tirar fotos nem no seu namoro. Allison estava cansado da vida solitária e madrugadas naufragadas em meio a trabalhos; a soberba estava tornando-se amargura. Santiago não conseguia parar em um emprego, vivia cheirando a cerveja e cigarro barato, fazendo da vida uma espécie de bar de quinta categoria.

Ainda no escritório Allison enviou uma mensagem de texto para Oliver e Santiago dizendo “Para conseguir dormir hoje vou precisar de mais que uma dose de uísque, então, Underground às 22h?” e um tempo depois recebeu uma mensagem de Oliver que dizia “Hoje eu só quero saber que amanhã vou estar com uma ressaca fudida. Estou dentro.” e logo em seguida uma de Santiago que dizia “Já estou esperando por você!” e logo já pensou “E eu sempre acho que não tem ninguém pior que eu, mas sempre tem o Santiago (risos)”.

No estúdio Oliver só ouvia que seus trabalhos estavam incompletos, que faltava um quê. Então, pouco antes de acabar o expediente e junto algumas anotações, pegou sua câmera e direto para o carro, tendo em mente em já ir para o bar, mesmo ainda sendo pouco mais de 17h40. Ao chegar lá encontrou com Santiago e já aproveitou para desabar todas as críticas e problemas do trabalho e também os problemas com o namoro e Santiago não deixou por menos também, falou, e até berrou, seus problemas.

Lá pelas 22h15 Allison encontrou com os dois já bem calibrados e já chegou pedindo uma dose dupla de uísque e juntou-se aos dois na mesa.

As horas foram passando e a coleção de copos de uísque, garrafas e latinhas de cerveja foi aumentando e junto às risadas, os berros e urros. E quando foi por volta de 4h10 eles resolveram pagar a conta, na verdade, só o Allison e o Oliver, porque a única coisa que o Santiago tinha era disposição para beber. Antes de entrar no carro Santiago disse:

- Ei, vocês dois, foi show hoje, vamos repetir. - gritando.

Allison respondeu:

- É nóis! - gritou com voz de bêbado.

Oliver em seguida disse:

- É só marcar.

Nenhum deles tinha condições físicas de voltar embora dirigindo, mas os três foram. E pela manhã Santiago levantou com uma dor de cabeça irritante, mas como já estava acostumado com a situação, já sabia como lidar. Mas o Allison acordou no chão do seu apartamento ainda com a roupa que tinha usado para ir trabalhar e mal lembrava como tinha chego a sua casa e a única coisa que conseguiu fazer pela manhã foi ligar para o escritório e dizer que só iria trabalhar à tarde, dando a desculpa de um problema familiar. Já o Oliver só conseguiu acordar no final da tarde daquele dia, sem ainda saber muito bem onde estava e com uma dor de cabeça muito forte, também sem entender porque havia um rastro de vomito que ia da cozinha até o banheiro, contudo, ele só foi começar a entender algumas coisas quando ligou sua câmera e começou a ver as fotos e logo já enviou um e-mail com algumas fotos para os dois e colocou como assunto Dá uma olhada no que fizemos.
0 com

O homem de gelo está derretendo

Santiago estava transtornado por ter descoberto que estava sendo traído. E após ter destruído o seu quarto, saiu sem rumo pelas ruas.

Em quanto isso, Allison estava preparando-se para dormir.

No meio da madrugada o telefone do Allison começa a tocar e quando ele atende, uma mulher começa a falar:

- Aqui é Dóris, sou garçonete do bar Tome Todas. Nós já estamos fechando...

- Senhorita, eu vou desligar. – ele interrompeu.

- Não! Olha, tem um rapaz muito bêbado aqui e o seu número é o primeiro na lista de telefones dele. Nós já estamos fechando o bar e preciso que você ou alguém venha buscá-lo.

- Mas eu nem sei quem ele é. Qual o nome dele?

- Um minuto vou perguntar. – disse ela.

- Qual o seu nome? – perguntou ela a ele.

- Meu nome é Sant... Santiago, doçura.

- Ele disse que se chama Santiago.

- É eu ouvi; dê-me alguns minutos que chego aí. Ah! Qual é o endereço?

Então, Allison foi buscá-lo e em quanto dirigia pensava “Eu devo ter feito muito mal em outras vidas para passar por algo desse tipo”. Quando chegou avistou a garçonete estava escorada na fachada do bar segurando o Santiago, então, ele o pego e entrou no carro. Já dentro do carro, Allison começou a dar um discurso:

- Você pensa que eu não tenho nada a fazer de melhor que vir buscar um bêbado no meio da madrugada?

- Mas Allison...

- Foi uma pergunta retórica. – Cortou-o secamente e continuou a falar – Você tem que adquirir maturidade. Não dá para você ir a um bar, beber até não conseguir andar e pedir para alguém vir te buscar. – Respirou fundo.

Após ele ter terminado de falar, o silêncio pairou no carro. Quando eles chegarem à casa de Allison, ele ajudou Santiago a tomar banho e o colocou para dormir em sua cama, em quanto ele foi dormir no sofá da sala. Mas duas horas depois o seu despertador estava tocando, mostrando que era hora dele acordar. Então, ele tomou um banho gelado e duas xícaras de café bem forte e sem açúcar, para tentar conseguir ficar acordado, pelo menos, o expediente inteiro. Antes de sair ele deixou um bilhete dizendo "Fui trabalhar, fique a vontade para comer o que quiser. A chave está ao lado, tranque tudo quando sair. Ligo para você quando sair da agência. Allison." e uma cópia da chave do apartamento para Santiago.

Allisson mal conseguia permanecer com os olhos abertos, devido ao sono. E quando chegou à hora do almoço, o que ele mais queria era poder relaxar e almoçar tranquilamente, entretanto o seu celular começou a tocar e quando ele olhou para o visor viu escrito "Número desconhecido", então, ele rejeito a chamada e voltou a almoçar, porém o seu almoço foi interrompido mais quatro vezes até ele atender a ligação - e ainda era a cobrar – e quando atendeu disse:

- Espero que seja importante, porque você está conseguindo piorar ainda mais o meu dia.

- Alô... Alô... Allison? É o Lorenzo! – disse com uma voz baixa e trêmula.

- Lorenzo, o que você quer? Estou no horário de almoço e gostaria de almoçar em paz.

- Eu estou todo arrebentado, acabei de ser assaltado, e só estou ligando para você porque meus pais não estão atendendo nenhuma ligação e estou longe do colégio para voltar.

- O quê? Você está muito machucado? Onde você está?

- Não sei muito onde estou, é uma rua sem muito movimento. Estou em frente a um bar chamado Tome Todas.

- Já até sei onde você está. – disse rindo. Em 15 minutos eu chego, não saia daí.

- Não, eu vou entrar no bar e tomar todas. – disse ironicamente.

Passado alguns minutos o carro do Allison encostou e ele entrou e disse:

- Valeu! Se não fosse você atender eu teria que ir andando até o meu colégio e daí esperar os meus pais me buscarem e blá, blá, blá...

- Tudo bem! No hospital você me explica melhor, mas antes vamos a uma delegacia fazer o boletim de ocorrência. Só vou ligar para o meu chefe e avisar que vou ficar o resto do dia fora.

- Não, não precisa me levar ao hospital e nem na delegacia; é só você me deixar na minha casa que já está bom.

- “Não” digo eu! Vamos sim. Quando nós sairmos da delegacia eu ligo para os seus pais.

- Tudo bem.

Então, eles foram primeiramente à delegacia fazer o boletim de ocorrência e depois ao hospital. Quando eles saíram de lá já passava das 18h00.

Quando o Allison estacionou o carro em frente à casa do Lorenzo disse:

- Chegamos.

Lorenzo olhou fundo nos olhos dele e deu um abraço dizendo:

- Obrigado por tudo, se não fosse você não sei onde e como eu estaria.

- Não foi nada... – disse gaguejando.

Lorenzo desceu e entrou em sua casa.

Mas Allisson ficou parado, por mais ou menos 10 minutos, sem ter nenhuma reação, só pensado em como tinha sido o seu dia e em como ele tem tratado as pessoas ao seu redor. Ele ligou o carro e foi embora.

Quando foi por volta de 23h45 o telefone tocou e ele atende dizendo:

- Por favor, diga-me que é engano.

- Alô... – era a voz de um homem bêbado.

- Ah, não! É você Santiago?

- Sim, te peguei! – disse rindo e continuou falando – Eu só estou ligando para agradecer a você e dizer que amanhã o almoço é por minha conta. Ah! Aconteceu algo? Porque eu liguei na agência e disseram que você saiu para almoçar, mas ligou avisando que ficaria o resto do dia fora por causa de um problema.

- Não foi nada. Eu explico amanhã no almoço.

- Tudo bem. Boa noite.

- Igualmente.

Então, ele voltou a dormir.
0 com

Eles

Seis rapazes, seis personalidades, seis diferentes pessoas.
Não importava o quão diferente fossem, nunca se separavam. Um protegia ao outro, como se por instinto.

Eles: Cauã, Allison, Renato, Lorenzo, Oliver e Santiago.

Cauã, o mais cauteloso e, também, o mais medroso de todos. Não gosta de fazer nada que for fora dos padrões; sempre busca fazer as coisas corretas.

Allison, rapaz que sempre procura estar acima de todos. E com a sua arrogância passa por cima do que possa vir a atrapalhá-lo. O seu intelecto é a sua maior arma.

Renato, típico nerd. Fissurado em videogames, tecnologia no geral e muitos livros; ah! Suas notas eram impecáveis, sempre acima da média, beirando a perfeição escolar. Ele trocava um dia ensolarado por horas em frente à tela do computador ou da televisão, com videogames ou programas.

Lorenzo, o mais novo de todos – adolescente. Corre pra cá, corre pra lá, assim é ele, não pára de movimentar-se nem sequer um instante, mas também cercado de amigos não tem como ficar. Uma hora estava na casa de um amigo, logo à noite estava em alguma festa, melhor ainda se tiver boa música, porque ele ama música.

Oliver, rapaz à moda antiga, o romântico dentre eles. Uma espécie em extinção - romântico assumido. Ele é daqueles que repara em qualquer mudança que sua namorada fez, da cabeça aos pés, e leva flores, chocolates e ursinhos de pelúcia; sem esquecer as serenatas, onde declara seu amor.

Santiago, rapaz que sempre quer infringir as leis. Atrevido, nunca perde uma oportunidade de contrariar a opinião alheia, sem importar-se com a conseqüência - rebelde.

Apesar de eles não terem, praticamente, nada em comum, sozinhos não passam de meros rapazes, mas juntos são um.